terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cicatriz

Como não te ver tão bela?
Se tanto tempo se foi
E ainda me fazes lembrar
Ainda mexe comigo
E me deixa arrepiado
É como se não tivesse deixado de ser
Como vou saber?
Se talvez soubesse explicar
O que fostes pra mim
Que continuas sendo
Se talvez nunca tivesse deixado de ser
Talvez nunca tenha apagado
A chama que desperta em mim
Talvez permaneça acesa
E num surto de lembrança
Trouxesse de volta
A paixão que marcou e deixou uma cicatriz
Uma cicatriz com teu nome
Marcado na alma
Bem lá no fundo ainda se pode ler
Rayla
Bem lá no fundo ainda existe você

domingo, 26 de dezembro de 2010

Brisa

Completamente anestesiado, mas ainda sinto meu corpo
Pensamentos voam acelerados, direcionados a um caminho bom
É a paz que paira
É a úmidade no ar
O perfume das árvores
A união dos fatos agradáveis resultam na harmonia
Agora o corpo anestesiado, mas meu rosto ainda sente
O vento passa frio, rápido, me faz fechar os olhos
Todo barulho dos galhos
E o cantar dos pássaros
A respiração profunda, a fumaça tragada
O pega perfeito...
A PAZ!

Bela de beleza

Cabe ao tempo me guardar
No lado direito do peito
A saudade distante
No que foi refeito
Talvez num breve instante
Talvez num futuro perfeito
Mas que seja belo e doce
Como tens sido desde sempre
E desde já não se perca
Nem se deixa esquecer
Quanto carinho tenho por você
E tanto apreço me resta
Tanto apego me sobra
Que te ofereço sem pedir em troca
Guarda-te o fogo sem te queimar
E que arda sem te doer
Mas que lembre a simplicidade
Em todas as palavras ditas
Com todo carinho que tenho por você

Funeral de um coração

Hoje, com grande pesar é que informo-lhes
Que sou um novo homem
Por dentro de pedra
Frio como um iceberg
Falecido
Toda minha paixão,
Toda aquela paixão...
Falecido!
Meu amor morreu
Minh'alma hoje silencia.

Eu e a Saudade

No mundo há pessoas e coisas favorecidas
Pela própria natureza em cobiçar
Alguns são privados de momentos que nasceram pra viver
Que vivem por sonhar
E choram ao vê-lo partir
Tanto desejo e luta, tanta garra
E se acha ser o fim
Pois quando um sonho morre
Uma estrela se apaga no céu

Noite após noite vejo o céu ficar mais escuro
E me dói saber que não posso dormir
Me dói lembrar que o que ardia morreu
Morreu
Me deixou só, por minha conta
Eu e a saudade
Privado de viver
Antes dela era eu, e não só
Mas nessas noites, tenho esquecido de sonhar

Velho Bandido

Eu que sou filho de um pai teimoso
Descobri maravilhado que sou mentiroso
Sou feio, desidratado, infiel
Bolinha de papel
Que nunca vou ser réu dormindo
Eu descobri como um velho bandido
Que já pude estar perdido neste céu de zinco
Eu que só tenho essa cabeça grande
Penso pouco, falo muito e sigo adiante
Descobri que a velha arca já furou
Quem não desembarcou
Dançou na transação dormindo
E como eu fui o tal velho bandido
Eu vou ficar matando rato pra comer
Dançando rock pra viver
Fazendo samba pra vender
Sorrindo
(Sérgio Sampaio)